Cícero filho é um produtor, diretor e roteirista maranhense que vive em Teresina, no Piauí e se dedica a fazer longas de ficção, com boas intenções, poucos recursos, e muita boa vontade.
Como muita insistência consegue levar seus filmes para as telonas e para as salas de exibição dos shoppings nordestinos, mas, é no mercado clandestino da pirataria que sua obra tem uma dimensão maior, chega ao grande publico, se torna popular e é um grande sucesso.
Cícero tem em sua biografia um dilema,escolher entre o amor e a razão. O amor a arte, o desejo insaciável de fazer filmes (já fez mais de vinte), de contar estórias,e de mostrar para o Brasil a cara do povo do meio-norte.
Seus filmes são assim:produções baratas,gravados geralmente com apenas uma câmara, com um ou dois atores profissionais porém desconhecidos da mídia nacional,o resto do elenco são pessoas comuns, amigos, familiares ou simplesmente moradores das cidades onde as cenas são gravadas.
Seu ponto forte é a empatia entre os personagens do filme e a platéia. São pessoas comuns que fazem o filme e são pessoas comuns que os assistem. Cícero conserva a expressões lingüísticas dos atores, eles falam do mesmo jeito em que falam em seu dia-a-dia, assim, revelam as peculiaridades do jeito de ser e de falar, do maranhense e do piauiense, em seu estado puro.
Seu ponto fraco é a técnica que é ligeiramente prejudicada pela falta de recursos, o que o Cícero Filho procura superar com talento e criatividade.
Ai entra o problema da razão, cada filme é um sonho, e realizar um sonho é a busca do ideal, é irracional por que contrapõe a realidade e, a realidade neste caso é que não é possível se fazer um bom filme, sem dinheiro, sem técnicos e sem atores profissionais, sem um bom equipamento,um bom som e uma boa luz.A fotografia é prejudicada, a interpretação fica a desejar,o roteiro tem que se adequar as condições da produção, etc, etc, etc.
O publico se divide entre os que amam e os que odeiam o seu trabalho.Os que amam, por que se divertem, se emocionam e se identificam com seus filmes,o que odeiam por que cobram do produtor a impossível perfeição técnica.
Diferente do Aclamado e divertido “Ai que vida!”, o longa que o antecede na videografia do Cícero Filho, “Entre o amor e a Razão”, é um drama de fazer “cabra macho” chorar.
Em uma breve sinopse o filme conta as desventuras de uma família com renda abaixo da linha de pobreza, que sobrevive do extrativismo do babaçu, que enfrentam a morte, a separação,a humilhação, o êxodo rural, e a injustiça que vem da própria justiça institucionalizada e do poder dos mais afortunados.
Mostra de forma nua e crua a miséria que aflige grande parte das famílias no interior do Maranhão.Miséria que,segundo uma certa governadora declarou a imprensa nacional,não existe naquele estado.
Depois de assistir “Entre o amor e a Razão” é impossível não olhar para aquelas casas de taipas na beira da estrada e simplesmente não se comover.
Um dos Grandes momentos do filme é a cena de uma quase refeição em família, onde de fato não havia comida alguma, o filho menor reclama,a mãe se desespera, e a família chora, e o público se cala entre comoção e mea culpa.
O Protagonista vive um dilema, o amor a sua família, o desejo de está perto, de cuidar e de compartilhar, e a razão,que neste caso são as vias reais de sobrevivência e garantia de um futuro melhor para seus filhos.

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